Depois de uma década de queda, fome volta a aumentar no mundo – Obesidade aumenta também de forma inédita. Entenda

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Organização das Nações Unidas revelam que cerca de 815 milhões de pessoas hoje passam fome, sendo 11% da população do planeta

Depois de anos de queda, a fome no mundo voltou a aumentar, até na América do Sul. Dados publicados nesta sexta-feira, 15, pela Organização das Nações Unidas revelam que 815 milhões de pessoas hoje passam fome, 11% da população do planeta.

O informe aponta que a proliferação de conflitos armados e mudanças climáticas seriam os dois principais motivos para esse aumento.

“Múltiplas formas de má nutrição ameaçam ainda a saúde de milhões de pessoas”, alertou o documento preparado em conjunto por Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês) e outras agências das Nações Unidas.

Entre 2015 e 2016, as entidades acreditam que o número de famintos tenha aumentado em 38 milhões de pessoas. A fome ainda afeta 155 milhões de crianças que, diante da falta de alimentos, são mais baixas e menos desenvolvidas para sua idade.

Esse é o primeiro informe mundial sobre a fome depois que a ONU adotou como meta erradicar a fome até 2030 no planeta. O aumento do problema, porém, revela que o desafio pode ser maior que o que se previa.

Na avaliação da ONU, parte da explicação está na explosão de conflitos regionais pelo mundo. “Durante a última década, conflitos aumentaram de forma dramática e se transformaram em fenômenos mais complexos”, alertaram as entidades.

De acordo com os especialistas dessas agências, o maior número de vítimas da fome está justamente nessas regiões de conflito armado.

“Isso deve servir de alerta: não iremos acabar com a fome até 2030 sem lidar com esses fatores”, apontam. “Sociedades inclusivas e garantir a paz são condições necessárias para acabar com a fome.” Sudão do Sul, Nigéria, Somália, Iêmen e Síria estão entre os principais focos da fome.

Dos 815 milhões de famintos no mundo, 489 milhões deles vivem em zonas de conflitos.

Mas o aumento da fome também estaria relacionado com o impacto das mudanças climáticas. “Mesmo em regiões mais pacíficas, secas e enchentes ligadas ao fenômeno do El Niño, assim como a desaceleração econômica mundial, também tiveram um impacto na segurança alimentar”, apontam.

Os dados mostram que zonas afetadas por conflitos e fragilidade ambiental chegam a registrar uma taxa de famintos 18 pontos percentuais acima da média mundial.

América do Sul

De acordo com o informe, a América do Sul também registrou um aumento da fome, depois de anos de uma queda importante. Em 2015, 5% da população da região era considerada como desnutrida. Em 2016, a taxa subiu para 5,6%.

“Existem sinais deque a situação pode estar se deteriorando, principalmente na América do Sul”, apontou o informe.

Um dos aumentos mais significativos foi o da Venezuela. A taxa da população que sofre com a desnutrição passou de 10,5% para 13%, entre 2005 e 2014. Isso significou um salto de 2,8 milhões para 4,1 milhões de pessoas afetadas. Os números sequer incluem ainda a situação de 2017 e o caos político e econômico no país.

No caso do Brasil, as entidades apontam que a fome atingia 4,5% da população em 2004-2006, cerca de 8 milhões de pessoas. Em 2014-2016, ela seria de menos de 2,5%

No total, a América Latina conta com 42 milhões de pessoas que passam fome, contra 520 milhões na Ásia e 243 milhões na África. Em termos percentuais, a América Latina registra 6,6% de sua população com algum grau de insegurança alimentar. Na África, a taxa é de 20%.

No que se refere à má nutrição severa, o problema passou a atingir 38 milhões de latino-americanos em 2016, contra 27 milhões em 2004.

Somando o critério de “insegurança alimentar” de uma forma mais geral, o informe também destacou que o problema passou a atingir 6,4% da população latino-americana, contra 4,7% em 2013.

Obesidade

Se a desnutrição é um problema, as agências também apontam para um aumento inédito da obesidade no mundo. Hoje, são 641 milhões de adultos nessa situação, o equivalente a 13% da população com mais de 18 anos. Outras 41 milhões de crianças com menos de 5 anos também são consideradas obesas.

Os dados mostram que a taxa de obesidade no mundo mais do que dobrou entre 1980 e 2014, atingindo em especial a América do Norte  e a Europa. Nessas regiões, 28% dos adultos são considerados obesos, contra 25% na América Latina, 11% na África e 7% na Ásia.

No Brasil, os dados apontam para um aumento significativo da obesidade, passando de 15,3% da população em 2005 para 20,8% em 2014. Em números absolutos, 30 milhões de brasileiros são afetados pelo problema. Há uma década, a obesidade atingia 19 milhões de pessoas no País.

Fonte: Agência Estado/Agora RN