Brasil tem maior número de mortes violentas do planeta, aponta estudo

0
1027

País teve, no ano passado, o maior número de mortes violentas do mundo, somando 70,2 mil óbitos, o que equivale a 12,5% do total de registros em todo o planeta

O Brasil teve, no ano passado, o maior número de mortes violentas do mundo. Foram 70,2 mil óbitos, o que equivale a 12,5% do total de registros em todo o planeta. O alerta faz parte de um informe divulgado pela entidade Small Arms Survey, referência mundial para a questão da violência armada. Em termos absolutos, a entidade aponta que a situação no Brasil supera a violência em Índia, Síria, Nigéria e Venezuela.

Segundo Gergely Hideg, autor do estudo, o número inclui as estatísticas oficiais de homicídios – registradas pelos países -, mas também as mortes violentas não intencionais e mortes em intervenções legais. “O número é superior ao que as autoridades afirmam”, disse o pesquisador, cuja instituição é financiada pelo governo da Suíça. A entidade calcula que, em 2016, 560 mil pessoas foram mortas no mundo de forma violenta. Isso representa um assassinato a cada minuto. O tamanho da população brasileira tem impacto nesses números.

Mas, por si só, não explica a dimensão da violência. Hideg aponta três fatores que estariam levando ao cenário de mortes: a falta de garantia de direitos para parte da população, a cultura da violência e o crime organizado.

Se o Brasil lidera o ranking mundial em termos absolutos, é a Síria que tem o maior número de mortes por habitantes, seguida por El Salvador, Venezuela, Honduras e Afeganistão.

A taxa no Brasil subiu entre 2015 e 2016. Era de cerca de 26 para 100 mil habitantes e passou para cerca de 30. Além de estar acima do índice mundial, de 7,5, o aumento dos números brasileiros contraria a tendência de queda no mundo.

“Em cidades como o Rio, a violência de gangues, o uso excessivo da força pelo Estado, um sistema de Justiça criminal corrupto, a militarização de certas áreas e o acúmulo social de violência – em que a violência gera mais violência – é o que marca as taxas extremamente elevadas”, diz o estudo. Outra constatação do levantamento é a de que o Brasil tem o terceiro maior número de mortes de mulheres no mundo. Foram 5,7 mil em 2016 – o País só fica atrás de Índia e Nigéria.

Se essa realidade não mudar, a entidade estima que, até 2030, 610 mil pessoas serão mortas de forma violenta no mundo a cada ano. O estudo calcula que 1,35 milhão de vidas poderiam ser salvas até 2030, se os governos reconhecessem a dimensão do problema.

Para Ivan Marques, diretor executivo do Instituto Sou da Paz, a quantidade de casos no País mostra a complexidade do problema. “A política de segurança pública precisa ser desenhada atendendo às particularidades de cada região, para respeitar as diferentes dinâmicas criminais”. (AE)

Segundo Ivan, questões como homicídios não esclarecidos e o modelo de polícia brasileiro ainda são entraves para a melhora nos indicadores. Procurado na noite de ontem, o Ministério da Justiça não se manifestou. A violência com armas de fogo aumentou no País entre 2015 e 2016.

Hoje, mais de 20% dos homicídios são cometidos com essas armas. O informe também constata que a maioria das mortes violentas não ocorre em países em guerra.

Fonte: Agora RN/O Povo