Mudança na natureza – Animais ‘soltos’ e céu limpo: retratos da natureza em tempos de coronavírus

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Imagens de animais e da natureza durante a quarentena para conter a pandemia do coronavírus

Isolamento social reduziu movimento nas cidades, fazendo com que o meio ambiente desabrochasse, com animais dando as caras e retomando seu espaço

pandemia do novo coronavírus também transformou a natureza. Com a orientação do distanciamento e isolamento social, uma pausa na rotina diária aconteceu e isso mexeu muito no meio ambiente – o deslocamento diminuiu e praticamente só os serviços essenciais continuaram em atividade. Um “break” na vida urbana e um novo desabrochar do ambiente, com direito a até animais dando as caras e retomando o seu espaço.

Com isso, houve uma redução em 17% das emissões de carbono em relação à média diária de 2019 no mundo. No Brasil, a redução foi de 25%, ligada principalmente aos setores de transporte e indústria, segundo um estudo da “Nature Climate Change”. Um céu que podemos dizer mais limpo e um ar mais puro.

” [Houve] redução na circulação de pessoas, da circulação de veículos, no número de viagens e na redução da demanda por energia. Então, acho que aqui no Brasil há uma redução também muito significativa na circulação de veículos e passageiros, além dos transportes de carga. Esses números traduzem a situação que a gente está”, disse Carlos Rittl, cientista e ambientalista especialista em mudanças climáticas.

Em Santos (SP), a beleza do céu ficou mais nítida à noite. O climatologista e astrônomo Rodolfo Bonafim reforça que tudo isso acontece por esta junção de fatores. “Menos carros, ônibus e outros veículos significa menor emissão de poluentes na atmosfera e, então, o céu fica ainda mais limpo e visível, principalmente a noite”, relata.

Fotógrafo registra corpos celestes em céu claro de Santos (SP). Foto: Arquivo Pessoal / Jamil Vila Nova

“O céu está um azul fora do comum, não é assim em Santos desde a década de 70 e começo dos anos 80”, completa o fotógrafo Jamil Vila Nova.

Já em Santa Catarina, as principais alterações ocorreram na região Sul, onde operam indústrias carboníferas, e também no litoral entre a Grande Florianópolis e Joinville, onde estão as maiores frotas de veículos.

E com toda essa mudança no clima, a bicharada deu as caras. Animais que eram poucos vistos começaram a aparecer em ambientes inusitados.

Nos Estados Unidos, centenas de golfinhos foram vistos na Califórnia. O grupo apareceu na costa de Laguna Beach.

Já em águas brasileiras, um grande cardume de sardinhas foi visto na Bacia do Pina, na Zona Sul do Recife.

“O que facilitou a concentração das pequenas manchas se juntarem em uma grande mancha foi a diminuição de circulação das embarcações, a diminuição de pescadores. Eles estão lá até hoje, mas a pesca baixou, não tem tantos compradores”, disse o professor.

Com a diminuição do barulho na cidade, o canto dos pássaros também ficou mais evidente, principalmente no Rio de Janeiro. Sons das maritacas, passeio de garças e corujas na praia foram apenas algumas das novas paisagens retratadas.

Gralha-do-campo, Lagarto Teiú, beija-flores e espécies de abelhas como Jataí, Uruçu-amarela e Mirim foram alguns dos bichos que passearam pelas áreas do Bondinho desde a suspensão de atividades do parque.

Em Campos do Jordão, o observador de aves Decio Hoffmann aproveitou esse período para se aproximar ainda mais das espécies.

“Todos os dias, coloco néctar e frutas na janela para admirar as aves de pertinho”, diz.

E teve ave querendo alguns minutos de fama! Quatro ararinhas da espécie maracanã-verdadeiro (Primolius maracana) foram flagradas pelas câmeras de monitoramento de tráfego na Rodovia Anhanguera, em São Paulo.

Araras pararam bem em frente às câmeras de monitoramento de trânsito da CCR Autoban, na Rodovia Anhanguera, em São Paulo. Foto: Divulgação / CCR Autoban

Em Campos do Jordão, o observador de aves Decio Hoffmann aproveitou esse período para se aproximar ainda mais das espécies.

“Todos os dias, coloco néctar e frutas na janela para admirar as aves de pertinho”, diz.

Outro caso curioso foi a aparição de uma onça-parda pela primeira vez na Reserva Biológica Estadual de Araras (Rebio), em Petrópolis. E a unidade de conversação faz essa relação com a quarentena.

“Este registro é importantíssimo pois é um indicativo de que o ecossistema está equilibrado. Além disso, acreditamos que este registro só foi possível devido à quarentena pois é sabido que a redução das atividades humanas no interior e nos limites das Unidades contribui para o aparecimento de animais silvestres”, disse Isabela Bernardes, chefe da Rebio Araras.

Na mesma reserva, um gato-do-mato pequeno, ameaçado de extinção, foi flagrado passeando.

Em Mafra (SC), uma onça-parda também resolveu aparecer, só que dentro de uma casa! O resgate dela levou algumas boas horas.

á os tamanduás resolveram realmente “passear” pelo país:

Tamanduá-mirim encontrado no banheiro de uma casa, em Jaraguá do Sul, foi resgatado e devolvido ao habitat. Foto: Prefeitura de Jaraguá do Sul / Divulgação

Tamanduá resgatado em Araguari. Foto: Corpo de Bombeiros / Divulgação

Tamanduá foi flagrando nas ruas do Centro durante a madrugada. Foto: Redes Sociais / Reprodução

Agora RN