Anvisa aprova 1º spray nasal para a depressão

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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta terça-feira, 3, o primeiro spray inalável contra a depressão. O cloridrato de escetamina é indicado para o tratamento de adultos com depressão resistente, ou seja, pessoas que não responderam a duas terapias anteriores, ou que tenham comportamento ou ideação suicida.

O Spravato, nome comercial do produto, é considerado o maior avanço da ciência contra a depressão em meio século.  “Esse é o primeiro tratamento com um mecanismo de ação realmente inovador aprovado em décadas e oferece uma nova opção para responder às necessidades não atendidas dos pacientes e da comunidade médica”, explica o psiquiatra Pedro do Prado Lima, do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Desenvolvido pela Janssen, farmacêutica da Johnson & Johnson, o spray nasal tem ação no cérebro mais rápida que a de qualquer outra medicação no mercado, o que é um fator fundamental para pacientes com intenções suicidas. A droga começa a fazer efeito em poucas horas. Os antidepressivos comuns mostram seus primeiros resultados depois de cerca de um mês de tratamento.

O medicamento funciona de maneira diferente das terapias atualmente disponíveis para a doença. Os antidepressivos existentes atualmente agem nas monoaminas, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina. Já a escetamina intranasal age nos receptores de glutamato N-metil-D-aspartato (NMDA), que ajudam a restaurar as conexões sinápticas em células cerebrais de pessoas com depressão. A indicação é que ele seja usado em conjunto com um antidepressivo oral.

Os resultados de dois estudos clínicos de fase 3 mostraram que a escetamina em conjunto com a terapia padrão reduziu os sintomas depressivos em até 24 horas após a primeira dose. Após um mês de tratamento, 70% dos pacientes apresentaram melhora nos sintomas mais graves. No entanto, produto não foi capaz de prevenir o suicídio ou reduzir a ideação ou comportamento suicida. Dessa forma, o uso do medicamento não dispensa a necessidade de hospitalização em pacientes com indicação clínica.

Por Robson Pires